Capital Humano: o maior gargalo de infra-estrutura
As linhas vermelhas são as medianas. Note que são raros os países que investem acima da mediana, e ao mesmo tempo apresentam um resultado abaixo da mediana. O exemplo mais negativo é a Sérvia. Por outro lado, existem países que são o inverso: investem abaixo da mediana, mas obtêm resultados acima da mediana. É o caso da Coréia. Os dois países são exemplos de que dinheiro não é tudo. Mas é importante, a se julgar pelo padrão mais comum: quem investe pouco, geralmente tem resultados medíocres, ao passo que quem investe muito, geralmente tem resultados melhores. O Brasil está no primeiro grupo: investe meros US$ 1.000/criança/ano, e obteve cerca de 400 pontos no PISA.
Uma forma de avaliar se o dinheiro gasto com educação está sendo bem gasto, é verificar para onde os recursos estão sendo direcionados. No caso do PISA, é a educação básica que está sendo avaliada. Os governos, no entanto, direcionam recursos para a educação básica e também para o ensino superior. Vimos que o aluno da educação básica tem recebido cerca de US$ 1.000/ano no Brasil. Por outro lado, o aluno do ensino superior recebe cerca de US$ 3.300/ano. Ou seja, 3,3 vezes mais. Somente três países do universo do PISA possuem uma relação maior: Tunísia (3,9), Hong Kong (4,1) e Emirados Árabes (4,2). Destes, apenas Hong Kong tem um PISA acima da mediana. Aliás, apenas mais dois países possuem esta relação acima de 3: (México: 3,0) e Turquia (3,1). Todos com PISA abaixo da mediana. Quero deixar claro, no entanto, que este não é um fator decisivo: há países com PISA alto, e relação alta entre o que se gasta com ensino superior e ensino primário. E vice-versa.
De qualquer modo, é mais do que chegada a hora de encarar este grande desafio: o de tornar o capital humano brasileiro mais produtivo e competitivo. Esta sim é uma área estratégica, onde o Estado deveria atuar decididamente. E não na construção do trem-bala ou de estádios para a Copa do Mundo…
