Custo da mão de obra: e o Brasil?

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Dando continuidade ao post anterior (O custo da mão de obra e o futuro do Euro), ficou a curiosidade: e o Brasil, como se sai neste quesito importantíssimo para a competitividade de um país? Deparei-me com uma apresentação do Credit Suisse Hedging Griffo, que traz alguns gráficos bem interessantes. Vejamos o primeiro:

Tínhamos visto, no post anterior, que o custo da mão de obra na Itália havia crescido 30% desde 1997, e o da Espanha 39%. Neste mesmo período, o custo da mão de obra na Alemanha havia permanecido na mesma. Já no gráfico acima, que começa no final de 2001, o custo da mão de obra da Itália e da Espanha cresceu cerca de 25%. No mesmo período , o custo no Brasil cresceu 60%! Na verdade, a partir de 2005, este custo mais do que dobrou.

Mas alguém poderá dizer: “Não é justa esta comparação! Espanha e Itália são países ricos, com renda per capita muito maior. A mão de obra no Brasil era muito barata, e agora está em um patamar justo!

Ok. Então vamos comparar com outros emergentes:

A figura continua não sendo das melhores. Mas aprofundemos um pouco mais: dentro da economia brasileira, quais os setores que mais estão sofrendo com pressões de custo de mão de obra? Vejamos:

Interessante, não? Justamente o setor que está andando para trás desde 2010, tem o custo da mão de obra explodindo. Não será esta uma fonte importante de perda de competitividade da nossa indústria, frente os competidores internacionais? A resposta parece óbvia.

Antes que alguém reclame que o Dr. Money não gosta do trabalhador e está do lado dos empresários, deixo claro que o custo da mão de obra vai muito além do salário, ainda que este também seja importante na composição. Basta lembrar que a empresa paga, grosso modo, R$ 2 para cada R$ 1 que chega ao bolso do trabalhador. São tantos impostos, encargos, burocracia envolvendo a folha de pagamentos, que não é de se espantar que estejamos neste estado de coisas. A reforma da legislação trabalhista é um dos meios mais eficazes de aumentar a produtividade da economia de forma permanente.

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Comentários (05)

  1. Dr Money,
    Excelente matéria, parabens!! A única questão que ficou a desejar foi informar o critério para a apuracao do custo da mao de obra utilizado pelo banco
    Parabens

    Cesar, em 26 de dezembro de 2012. Responder
  2. Com relação ao seu último gráfico, é admirável a velocidade com que os coreanos protegeram a sua economia exportadora, bem como o México, deixando Chile e principalmente Brasil a ver navios. Este perceberam o movimento americano de desvalorização cambial e acompanharam o mesmo quando da instalação da crise em 2008 e seu recrudescimento em 2011-2012. O Brasil não tomou esta atitude em 2008, só o fazendo agora em 2012. Isto mostra que o remédio americano para crise já criou antídotos nas outras economias. Cabe os americanos arrumarem outro remédio, espero que não seja nenhuma das soluções esdrúxulas da época da 1ª e 2ª crises do petróleo, ou as políticas de implantar regimes ditatoriais pelo mundo, com o fortalecimento de uma pequena oligarquia em troca da pobreza de toda uma população.

    Allan...Ferreira, em 11 de julho de 2012. Responder
  3. A maior dificuldade do plano real persiste até hoje, a de manter um câmbio competitivo para que a indústria sobreviva e cresça, sem ao mesmo tempo impulsionar a inflação. Sim, porque boa parte da estabilidade de preços foi conseguida graças a competição dos importados. O mesmo aconteceu a Europa, onde inúmeras pequenas manufaturas da Grécia, Espanha, Itália, Portugal foram fechadas graças a um Euro forte, que acabou com qualquer competitividade destas pequenas indústrias. Veio com isto o desemprego que se espalha na comunidade do Euro. O governo brasileiro, ainda que tardiamente entendeu esta mensagem, e a todo custo vem tentando desvalorizar o real, visando acredito que um patamar de 2,20 nos próximos 12 meses.Ajudará isto a queda dos juros, que diminui a entrada de dinheiro especulativo, bem como a queda do valor das commodities.

    Allan..Ferreira, em 11 de julho de 2012. Responder
  4. Dr. Money, concordo plenamente que a mão de obra no Brasil é muito cara. Era em 2001 e continua sendo cara em 2012. Porém não foram analisados alguns viesses. No 1ºgráfico, em outubro de 2004 o dólar valia R$ 2,90, em outubro de 2010 valia R$ 1,72. Logo houve um ganho real pela valorização da moeda em 69%. Colocando uma inflação (americana) de 2,5% aa, isto significa 16% de perda de poder de compra da moeda. Portanto, o que ocorreu foi apenas um ganho real de 10-15% de outubro de 2004 a outubro de 2010, semelhantes ao da Itália e Espanha. A guerra cambial realmente tirou a competitividade da indústria brasileira. Esta sofre ainda com a dificuldade de conseguir mão de obra qualificada, o que impulsionou os salários para cima, sem contar que perdeu empregados para o setor terciário (melhores ofertas). Houve uma pequena melhora do cenário, com a valorização do dólar, mas este cenário só teria uma melhora impactante, com um câmbio de R$ 2,50 para cima.

    Allan Ferreira, em 11 de julho de 2012. Responder
  5. “Basta lembrar que a empresa paga, grosso modo, R$ 2 para cada R$ 1 que chega ao bolso do trabalhador.”

    Isso não é BEM verdade. Se disser que para cada R$ 1 que está na carteira de trabalho, o funcionário ganha R$ 1,5 e a empresa paga R$ 2 eu até concordaria….

    Observador, em 08 de julho de 2012. Responder

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