A República Bancária do Brasil: uma fábula dos nossos tempos

Enquanto isso, na Palácio do Plano Alto, sede da Reública Bancária do Brasil, as discussões continuam altas horas da noite:

– Sr. Presidente, mais um relatório do IBGE: o crescimento da economia está ainda bastante fraco…

– Assim não dá! Já demos estímulo pra meio mundo! O que esse setor produtivo faz que não produz! Acho que estão de corpo mole…

– Sr. Presidente, acho que o problema está em outro lugar…

– Já sei! O problema são esses impostos muito altos! Os governos cobram impostos escorchantes, e o setor produtivo não consegue produzir com essa carga tributária monstro!

– Sr. Presidente, isso é verdade. Se bem que os governos dizem que o problema está nos spreads que nós cobramos do setor produtivo…

– Eu sei que nossos spreads são altos… Mas não dá pra baixar agora, entende? Temos muitos programas sociais que dependem deles. Além disso, como sustentar a máquina bancária sem os spreads? Não, precisamos atacar os impostos altos. É isso!

– E como você pretende fazer isso, Sr. Presidente? Muitos bancos já tentaram fazer isso antes, e não conseguiram. Você sabe, os governos são muito poderosos…

– Muito simples, meu caro ministro: nós controlamos os governos de dois dos principais Estados da federação. Vamos forçar esses governos a baixarem os seus impostos. Com os impostos mais baixos, atrairão novos negócios, e forçarão os outros governos a seguirem o seu caminho.

– Mas, e como fica o equilíbrio orçamentário desses governos? Se baixarem seus impostos, não conseguirão pagar suas contas…

– Deixe de bobagem! Esses governos têm muita gordura pra queimar! Além disso, como temos o poder de imprimir dinheiro, qualquer problema nós cobrimos o rombo.

ALGUNS DIAS DEPOIS…

– Sr. Presidente, os governos dos outros Estados não só não baixaram os impostos, como vieram com uma lista de reivindicações para fazê-lo. A primeira é que baixemos os nossos spreads…

– Mas que desplante! Isso é um desafio à minha autoridade! Vamos fazer uma segunda rodada de corte dos impostos nos Estados que controlamos, e mostrar quem manda aqui!

ALGUNS DIAS DEPOIS…

– Sr. Presidente, alguns Estados anunciaram alguns cortes de impostos, mas a coisa parece mais cosmética do que de verdade.

– Bem, não me resta outra opção senão demonizar estes governos em cadeia nacional de rádio e televisão. Vamos jogar o povo contra os governos, e ver até quando eles mantém essa postura arrogante.

MORAL DA HISTÓRIA: isto é só uma fábula. Os impostos continuarão altos, mesmo depois da redução dos spreads bancários. E o país continuará crescendo muito aquém do seu potencial.

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