Impostos, o outro nome do Estado

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Veja o vídeo abaixo, produzido pelo Movimento Brasil Eficiente, sobre os impostos embutidos nos produtos que compramos em nosso dia a dia. São só 3 minutos.


O interessante, creio, é a surpresa e indignação das pessoas. Um, inclusive, diz que não deveria haver impostos!

Pois é. Reproduzo abaixo parte de um post publicado em março do ano passado (O brasileiro realmente quer menos impostos?). Nele, confronto o desejo de uma menor carga tributária com a mentalidade brasileira de jogar nas costas do Estado todas as obrigações que deveriam ser suas. Vejamos:

Agora, eu pergunto: será que o brasileiro médio realmente quer menos impostos? Obviamente, feita a pergunta desta maneira, a resposta seria: “Claro, quanto menos impostos, melhor!”. Mas formulemos a mesma questão de outras formas:

  • Você acha que as estradas deveriam cobrar pedágios?
  • Você é a favor do movimento “Catraca Livre”, que propõe transporte de graça para a população?
  • Você acha que o BNDES deve continuar financiando o desenvolvimento do Brasil?
  • Você acha que a Petrobrás e o Banco do Brasil devem continuar como empresas estatais, pois são estratégicas?
  • Você é a favor do “Bolsa Família”, pois alguns segmentos da população realmente necessitam de ajuda governamental?
  • Você acha certo que uma pessoa possa se aposentar aos 30 anos de serviço, independentemente de sua idade?
  • Você acha correto que o governo financie obras de arte?

Poderíamos continuar com uma lista interminável de sorvedouros da poupança pública. O governo não cria riqueza, apenas a redistribui de acordo com certos critérios, com uma certa perda no meio do caminho, que é a manutenção da própria máquina governamental. Portanto, o dinheiro de todos esses programas saem do nosso bolso, na forma de impostos. O brasileiro médio, quando perguntado, é a favor da maior parte dessas iniciativas. Todos querem um Estado para chamar de seu. Não é à toa que temos uma das maiores cargas tributárias do mundo.

Se, no vídeo, ao invés de questões sobre a carga tributária, fossem feitas as perguntas acima, certamente teríamos respostas bem diferentes. As pessoas simplesmente não ligam uma coisa com a outra. Louvável, portanto, a iniciativa do MBE, de chamar a atenção para o problema. Mas é preciso dar um passo adiante, e defender a diminuição do tamanho do Estado. O que não siginifica ausência de Estado, mas sim um Estado mais eficiente.

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Comentários (05)

  1. O maior imposto sobre os mais pobres é a inflação…

    Pedro Martins, em 17 de agosto de 2012. Responder
  2. O grande problema de definir qual o tamanho do Estado… Se pesado demais, o gigante paquiderme atrapalha o desenvolvimento econômico, se pequeno demais, acaba por ser esmagado pelo capitalismo. O problema é o destino dos tributos, e não o valor da tributação per si. Há cerca de 10 anos o país destinava 1/3 dos tributos para pagamento de juros da dívida. Hoje este valor é algo como 1/10 (me corrija se eu estiver errado). Na Suécia se paga muitos impostos, mas não é comum ver o sueco reclamar de sua carga tributária. Por outro lado o Paraguai é um país que cobra poucos impostos, mas o seu povo reclama pela ausência de Estado.
    O problema é manter uma taxa tributária elevada para sustentar o luxo de poucos, como os privilégios do funcionalismo público (hoje concurseiro é profissão), e manutenção de castas de apadrinhados, em detrimento dos demais contribuintes. Não tem como explicar um funcionário público ganhar o triplo de um da iniciativa privada para exercer a mesma função. Nem ter uma aposentadoria 5x maior.
    O problema não é o tributo, é o seu destino.

    Allan C. Ferreira, em 01 de agosto de 2012. Responder
    • As duas coisas. Aqui está envolvida uma questão de convicção: tenho certeza (e a experiência dos regimes socialistas mostra isso) que o Estado é um pior alocador de recursos do que a iniciativa privada. Isso significa que não haja erros de alocação na iniciativa privada? Longe disso, e eu e você poderíamos dar mil exemplos. Mas certamente milhões de empresários e consumidores são, no conjunto, melhores alocadores do que meia dúzia de iluminados sentados em seus gabinetes de Brasília. Disso não tenho dúvida alguma.

      drmoney, em 02 de agosto de 2012. Responder
  3. Eu acredito que devemos pagar impostos para manter os serviços básicos que o governo disponibiliza. A única maneira de reduzi-los seria diminuindo a corrupção, diminuindo a sonegação e aumentando a eficiência do estado. Pena que é utópico.

    Léo, em 30 de julho de 2012. Responder
  4. Concordo plenamente. Não quer pagar tributos, mas quer ensino público de qualidade, quer hospitais públicos de primeiro mundo, quer que aumente o valor da aposentadoria, entre outras coisas,

    Só faço uma ressalva: imposto é uma das espécies dos tributos que pagamos, acho que abordagem do texto está mais relacionada aos tributos (impostos, taxas, contribuições…).

    Adoro seus textos! Abraços!

    Flávia, em 29 de julho de 2012. Responder

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