Não entendeu? Dr. Money explica tudo direitinho!

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Leia o que nos conta reportagem do Estadão de hoje. Volto em seguida.

Muita especulação e pouco negócio fechado. Com essa frase, a gerente vendas da Granleste, revenda da marca GM, Ana Cristina Lorenzo Collado, resumiu o funcionamento do primeiro dia do mercado de veículos, depois da divulgação das novas listas de preços das montadoras.

O que provoca essa paralisação momentânea do mercado é o fato de o consumidor não conseguir entender a diferença entre o tamanho dos descontos anunciados, na casa de 10%, e o abatimento real, que, na prática, acaba sendo bem menor.

Como as concessionárias, antes da edição das medidas de segunda-feira, vinham cortando os preços de tabela para impulsionar as vendas fracas, os clientes que tinham cotado os produtos voltaram ontem às lojas acreditando que o abatimento seria sobre o preço já reduzido, explicou a gerente. E se decepcionaram porque a redução de 10% é sobre a tabela de preço anterior, que não estava sendo adotada pelas revendas por causa do enfraquecimento das vendas.

Ana ilustra com números essa situação. Na semana passada, um veículo modelo Classic, com todos os descontos da revenda, saía por R$ 26.990, mas o seu preço de tabela era R$ 29.000. Agora, com a redução do IPI e o desconto dado pela montadora, o produto está cotado a R$ 26.208. Em relação ao preço de tabela o desconto é de 9,6%, mas na comparação com o preço que estava sendo adotado, a queda é de apenas 2,8%.

É exatamente essa matemática que o consumidor não entende. “Hoje (ontem) gastei cerca de meia hora com cada cliente para explicar essa situação”, contou Ana, lembrando que, antes das medidas, chegou a vender carros pelo preço de fábrica, só para girar os estoques. Ela acredita que, nos próximos dias, os clientes vão entender as mudanças e se beneficiar também do corte nos juros. O banco GMAC, do qual a montadora é acionista, acaba de reduzir os juros mensais de 1,29% para 0,98%.

“Ainda não deu o movimento esperado”, afirmou Edivaldo Praxedes, gerente de vendas da Ventuno, revenda Fiat, referindo-se ao comportamento do mercado ontem. Ele disse que o consumidor está “meio desconfiado” em relação às medidas.

Além da desconfiança, ontem na sua revenda foi um dia de muito trabalho interno. “Estamos separando as notas e mandando para a fábrica para faturar novamente os produtos com as novas alíquotas de IPI.”

Voltei.

Você também não entendeu? Vou explicar. As montadoras já estavam dando desconto nos automóveis. Coisa assim tipo lei da oferta e demanda: caiu a demanda, ou ajusta a oferta, ou ajusta o preço. Como os pátios estão transbordando, os preços foram ajustados para baixo. Mas sabe como é, não é fácil ter o lucro reduzido. Assim, as montadoras ameaçaram com demissões, e o governo correu para baixar o IPI. Assim, aquele desconto que estava diminuindo o lucro das montadoras, agora vai diminuir a arrecadação do governo. Entendeu?

Por que será que eu não estou surpreso com isso?

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Comentários (06)

  1. Engraçado, estou querendo comprar um gol desde o começo do ano. Venho acompanhando os preços e percebi que está a mesma coisa de antes, ou seja, a redução do IPI não afetou em nada. Pelo menos nas concessionárias aqui de Brasília.
    Agora entendi um pouco mais o por que.
    Abs,
    http://www.guilhermeazevedo.com.br/

    Guilherme Azevedo, em 14 de junho de 2012. Responder
  2. Já prestaram atenção no número de montadoras que veio para cá após a crise de 2008?

    Enquanto tiveram prejuízos no mundo todo, o Brasil conseguiu lucro. Margem na estratosfera.

    Brasil é uma piada mesmo.

    http://www.di-finance.blgospot.com.br

    dimarcinho, em 27 de maio de 2012. Responder
  3. Dr. Money,

    Entendo e compartilho de sua visão.

    Agora vamos virar a mesa do jogo. Não que isto desautorize sua crítica, muito pelo contrário, mas a pergunta é: do ponto de vista estritamente do empresário, abaixar os preços dos automóveis se converte realmente em mais vendas, a ponto de aumentar os lucros?

    Em outras palavras, você acredita que o “lucro Brasil” seja fruto de uma visão míope do empresariado brasileiro ou realmente um ponto de equilíbrio ótimo para se ter mais lucros, visto que, aqui, quanto mais caro, melhor?

    Abraços, Renato C

    Renato C, em 25 de maio de 2012. Responder
    • Excelente ponto, Renato. Não creio que o preço praticado pelas montadoras seja fruto de uma visão míope, ou de “ganância”. Aliás, sempre que ouço essa palavra aplicada a empresários ou banqueiros, tenho vontade de dar risada. Todos nós somos “gananciosos”, no sentido de que estamos sempre em busca de maximizar o nosso bem-estar. E não é diferente com os empresários. Assim, os preços altos são praticados por que este é um ponto de equilíbrio ótimo, como você bem colocou. Ocorre que, tomando a reportagem pelo seu valor de face, o ponto de equilíbrio ótimo recuou, pelo menos temporariamente, e as montadoras já haviam começado a praticar preços mais baixos. Aí vem a mão visível do governo e compensa o recuo do ponto de equilíbrio com renúncia fiscal. Ok, diminuir impostos é sempre bom, mas não me parece ser este o modo mais inteligente de diminuí-los.
      Obrigado pela sua contribuição.

      Dr. Money, em 25 de maio de 2012. Responder
  4. Essas intervenções do governo são sempre sob o pretexto de “salvar empregos”. Quanta nobreza! Acontece que esse tipo de atitude releva que não somos um livre mercado. Se a demanda caiu, sinto muito, a empresa que faça os ajustes que tiver que fazer. É assim que o capitalismo funciona. As regras de mercado estão aí. Se, cada vez que um setor enfrentar dificuldades, o governo mudar as regras, não há como jogar com seriedade. E essas empresas não tem dinheiro em caixa? Não podem amargurar alguns meses no vermelho antes de anunciar cortes? Isso parece mais é chantagem!

    Geraldo, em 25 de maio de 2012. Responder
  5. Falou tudo Dr.,
    Abraço.

    Jônatas R. Silva, em 25 de maio de 2012. Responder

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