O índice Big Mac

A The Economist publicou um gráfico bem interessante, mostrando o seu já conhecido Índice Big Mac, mas agora ajustado ao PIB per capita (veja aqui). Para quem não conhece, o índice Big Mac foi criado pela The Economist para dar uma noção do poder de compra relativo nos diversos países, medido por um único indicador, no caso o preço do Big Mac em dólares. O Big Mac tem a grande vantagem de ser comercializado de maneira uniforme em todos os países, e incluiria todos os setores da economia: agricultura, indústria e serviços. Assim, a diferença de preços do Big Mac entre os países se daria somente pela diferença do poder de compra da moeda local, o que seria o exemplo mais próximo e concreto do conceito de PPP (Purchase Power Parity), que é o câmbio ajustado pelo poder de compra da população local. Abordei o conceito de PPP no post Como comparar os PIBs entre os países?

Neste novo gráfico, a The Economist ajusta o preço do Big Mac pelo PIB per capita de cada país. A idéia deste ajuste é de que, em países mais pobres, o sanduíche deve mesmo custar menos em dólares, dado que o custo da mão de obra é bem menor. O exemplo dado pela revista é simples: um Big Mac custa na China 44% menos que nos EUA. Isso seria um indicativo de que a moeda da China estaria sub-valorizada em relação ao dólar. No entanto, sabemos que a mão-de-obra na China é bem mais barata que nos EUA. Portanto, deve haver algum efeito disso no preço final do sanduíche. Ajustando pelo PIB per capita, chega-se à conclusão que o yuan (a moeda chinesa) estaria, na verdade, em linha com o dólar.

E quanto ao Real? A conclusão não é nada animadora. Sem ajuste, o índice Big Mac indica que o Real está sobre-valorizado cerca de 50% (aqui o Big Mac custa cerca de US$ 6,00, contra aproximadamente US$ 4,00 nos EUA). No entanto, corrigindo pela renda per capita, a nossa moeda na verdade estaria 150% valorizada em relação a um certo “nível justo”. Ou seja, o preço “correto” do Big Mac deveria ser de US$ 2,40. Considerando que o Big Mac custa R$ 9,50, o câmbio deveria estar em quase R$ 4,00.

Obviamente, seria ingenuidade resumir toda a economia de um país a um Big Mac, além de considerar que a renda per capita seja um indicador fidedigno do custo da mão de obra. Mas, mesmo considerando todas as limitações desse exercício, não deixa de ser interessante. Ou assustador…

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