Rio 2016: o que esperar do desempenho brasileiro

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Terminados os Jogos Olímpicos, vamos atualizar o estudo feito no post Jogos Olímpicos, economia e política. Comecemos com o desempenho dos anfitriões, a Grã-Bretanha.

Note como o número de medalhas de ouro da Grã-Bretanha nas Olimpíadas do pós-guerra sempre girou em torno de 2% do total, com algumas poucas exceções. A partir do fiasco dos Jogos de Atlanta (1996), o país deve ter começado um trabalho focado nos Jogos. O número de medalhas aumentou sensivelmente, passando para 4% nas duas Olimpíadas seguintes, e dando um salto para 6% em Pequim. Neste ano, provavelmente pelo fator “casa”, o número saltou para 10% do total, o melhor resultado do pós-guerra. Este deve ser um ponto fora da curva, mas o trabalho de base deve permanecer, e a Grã-Bretanha passa a ser um adversário respeitável. O importante aqui é notar que o trabalho começou para valer nas Olimpíadas anteriores, onde o número de medalhas já havia aumentado de maneira significativa.

Podemos observar o mesmo fenômeno na Coréia e na China, conforme os gráficos a seguir:

Note como, nos dois casos, o número de medalhas já começou a subir na Olimpíada anterior. O fator “casa” conta, sem dúvida, mas mesmo nos jogos posteriores, os ganhos obtidos em relação ao patamar anterior são permanentes. No caso da Coréia, inclusive, o número de medalhas de ouro já é quase igual ao obtido quando as Olimpíadas ocorreram em Seul.

E o Brasil? Vejamos:

Infelizmente, não seguimos o padrão dos países vistos acima. Para ter um papel relevante nos Jogos do Rio, o Brasil precisaria ter já nestas Olimpíadas um número de medalhas melhor do que a média
 histórica. O que vimos foi a manutenção dos ganhos já obtidos. Mesmo o número recorde de medalhas deste ano (17), não ultrapassou, proporcionalmente ao número de medalhas disputadas, a marca de Atlanta. Há dois cenários futuros para o Brasil: o México ou a Espanha, ambos sem mudança relevante no número de medalhas obtidas nas Olimpíadas anteriores.

O México, depois de atingir quase 2% das medalhas quando sediou as Olimpíadas, voltou para a sua média histórica de aproximadamente 0,5% das medalhas. Já a Espanha, mesmo não tendo aumentado de maneira relevante o número de medalhas nas Olimpíadas anteriores, deu um salto tão espetacular nos Jogos de Barcelona, que algum ganho permanente ficou.
Pelos exemplos acima, é provável que o Brasil bata o seu recorde de medalhas nos Jogos do Rio. A questão principal, no entanto, só será respondida com o tempo: quanto desse ganho será permanente.

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Comentários (01)

  1. Dr. Money….
    O Brasil pode ser uma potencia em vários esportes, mas a falta de planejamento, gestão e execução… deixa o país como podemos ver nos gráficos !!!

    Ricardo, em 18 de agosto de 2012. Responder

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