Veja como se compara a inflação do Brasil com o resto do mundo

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A inflação do Brasil no ano passado foi de 5,9%. É alta? É baixa? Passe o mouse nos países do mapa a seguir, e veja a inflação no resto do mundo. Descubra, por exemplo, que a Venezuela teve a inflação mais alta do mundo em 2013. O Brasil encontra-se no meio do caminho, e bem acima de outras economias da América Latina, como México, Chile e Peru.
Uma observação: a inflação da Argentina, segundo dados oficiais, foi de 10,8%. Sabemos, no entanto, que a inflação real foi bem mais alta, algo entre 25% e 30%, o que a tornaria a segunda maior inflação em 2013.

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Comentários (04)

  1. Dr. Money, desculpe a ignorância: mas reduzir os gastos públicos ou aumentar a taxa de juros realmente controlam a inflação? Se isto realmente fosse verdade, como explicar a inflação americana inferior a 2%, e mesmo inferior à alemã.
    Depois de muito analisar, percebo que o câmbio e fluxo internacional de capitais é basicamente o único fator de controle inflacionário. A concorrência de produtos e serviços externos obrigam preços mais baixos. Mas se o câmbio se desvaloriza, isto empurra a concorrência externa para longe, deixando os preços ao controle apenas do empresariado nacional.
    E o que faz o câmbio valorizar/desvalorizar?
    Entrada de dólares faz o real se valorizar, e vice-versa. Ao subir a taxa SELIC, atrai-se mais capital dos investidores externos, o dólar baixa de preço. Políticas de austeridade fiscal também atraem dinheiro externo, pois melhoram o rating, necessitando de menos aumentos nos juros.
    Então o controle da inflação se faz apenas pelo câmbio, e fluxos de capitais. Os EUA não precisam se preocupar com este fluxo, uma vez que se este for deficitário, basta imprimir mais moeda.
    Já o restante do mundo, para controlar sua inflação necessita de políticas de austeridade fiscal e taxas de juros atrativas para equilibrar o fluxo de capitais.
    O que me preocupa, é que no período Lula, mantivemos um fluxo intenso de dólares, mantendo inclusive nossa conta corrente positiva em alguns períodos. Isto se deveu as fortes exportações de bens primários a elevados preços (soja/ferro), associado a uma política fiscal austera. Como observamos um afundamento das commodities, este fluxo reduziu, e terá de ser compensado pelo capital especulativo. Para atraí-lo, somente aumentando os juros e a austeridade fiscal. A não ser que o preço das commodities voltem a subir, ou que novas commodities ocupem o lugar perdido. (Poderia ser o petróleo, se tivéssemos um ritmo mais rápido de exploração do pré-sal).

    Allan Ferreira, em 14 de abril de 2014. Responder
    • Allan, a sua análise está correta. De fato, os juros mais altos atraem capital externo, o que aprecia o câmbio no curto prazo, tendo efeito positivo sobre a inflação. Mas este não é o único canal através do qual a política monetária atua sobre a inflação. Neste esquema do BCE (http://www.ecb.europa.eu/mopo/intro/transmission/html/index.en.html) você poderá observar que as mudanças nas taxas de juros afetam as expectativas de inflação, o crédito, o valor dos ativos (efeito riqueza), além do câmbio. O sistema pode funcionar mais ou menos bem, dependendo de quanto estes “canais de transmissão” estão lubrificados ou não. Por exemplo, no canal do crédito, se uma parcela importante do crédito (imobiliário, BNDES) não fosse subsidiado ou tabelado, o canal do crédito funcionaria muito melhor, o que significa dizer que, com um aumento menor das taxas de juros, se conseguiria o mesmo efeito sobre a atividade econômica e a inflação. O mesmo podemos dizer sobre os preços dos ativos: quanto mais ativos prefixados tivermos na economia, maior será o efeito sobre a riqueza dos agentes de um movimento das taxas de juros. E assim por diante.
      No caso dos EUA e Europa, a inflação é muito baixa mesmo com taxa de juros zero. Isso acontece porque a atividade econômica está deprimida (dizemos que o hiato do produto é alto), de modo que não há pressões inflacionárias. Quando o hiato aumentar, eles vão subir as taxas de juros, como sempre fizeram, porque a política monetária funciona lá também. E por que a atividade está deprimida? Porque houve uma destruição de riqueza gigantesca, o efeito riqueza (no caso, pobreza) vem atuando como um freio para a expansão da economia. Com relação à dívida, para efeito de inflação não importa o nível da dívida, mas a mudança de nível. Tanto os EUA quanto a Europa estão em meio a um esforço por redução de dívida, o que é contracionista.
      Concluindo: a política monetária e a política fiscal são os instrumentos disponíveis para o controle da inflação no curto prazo. O cenário externo pode ajudar ou atrapalhar, o que torna as políticas internas ainda mais importantes. E, claro, se o país realiza reformas que melhoram a sua eficiência na alocação de recursos, a tarefa de controlar a inflação no curto prazo fica facilitada, exigindo taxas de juros cada vez menores.

      drmoney, em 16 de abril de 2014. Responder
      • Não podemos esquecer que o estímulo ao crédito, sem a devida atenção aos setores produtivos também aumenta a inflação. Veja o setor imobiliário, muito crédito e faltam mão de obra, cimento e insumos em geral. Todos os fornecedores e autônomos ligados à cadeia produtiva tiveram reajuste de preços acima da inflação.

        Maarie, em 28 de abril de 2014. Responder
  2. Sensacional o mapa! Obrigado por compartilhar Dr. Money!
    Abraço!

    Aliás, você poderia fazer um post comparando inflação, taxa de juros, crescimento, dos países emergentes (Turquia, paquistão, Índia, Colômbia, chile – esse é quase desenvolvido -, etc). Acho que ia ser bem interessante, e ia nos dar uma noção de onde o Brasil está, pois é claro que comparar com EUA, Austrália, Alemanha, etc, nós sabemos que estamos bem atrás.
    Abordar os cinco frágeis, as semelhanças, diferenças, etc. Apenas uma ideia.

    Abraço!

    soulsurfer2, em 05 de abril de 2014. Responder

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