O papel dos pais na educação financeira dos seus filhos

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Muitos pais devem ter sentido um arrepio ao ler o título deste post. Afinal, poucos se sentem capacitados para a tarefa. Educação financeira lembra fórmulas matemáticas, informações sobre os mercados financeiros, e outros tópicos igualmente herméticos. Se não têm esse tipo de conhecimento, como repassá-lo para os filhos?

Bem, para a tranquilidade geral dos pais, digo que esta percepção está equivocada. Dizendo melhor, muito equivocada. A educação financeira não passa por calcular quanto é preciso poupar para a aposentadoria, ou qual investimento é o melhor no momento, ou mesmo quanto de taxa de juros está embutido em uma compra à prestação. Todas essas são informações importantes, e que devem ser buscadas na literatura especializada tanto pelos pais quanto pelos filhos. Mas a tarefa dos pais não é informar, mas formar os seus filhos.

A questão fundamental aqui é a seguinte: como ajudar o meu filho a ser feliz em sua vida financeira? E a resposta é a mesma que se dá para outras questões que aparentemente não têm nada a ver com finanças: como ajudar o meu filho a ser feliz em sua vida afetiva? Em sua vida profissional? Em sua vida familiar? A resposta é uma só para todas estas questões: educando a sua VONTADE.

Há aqui uma distinção que devemos fazer entre os conceitos de instinto e vontade. O instinto é uma característica que está presente em todos os animais, inclusive no ser humano. Assim, temos o instinto de sobrevivência. Quando temos fome, por exemplo, o nosso instinto de sobrevivência nos impele a comer. Ou, quando somos atacados, o nosso instinto de sobrevivência nos impele a fugir ou a lutar. Isso acontece com todos os animais. A diferença no ser humano é que a sua vontade tem o poder de regular o impulso instintivo. Desse modo, quando um cachorro sente fome, atacará necessariamente o primeiro bife que tiver pela frente. Já o ser humano pode ou não comer, dependendo do seu raciocínio. Por exemplo, se uma pessoa está seguindo uma dieta, pode decidir não comer naquela hora. Ou, se estiver em greve de fome por um motivo político, a sua vontade vence o instinto por uma causa maior.

Por que essa digressão? Porque o papel dos pais é educar a vontade dos filhos. A chave de uma vida financeira feliz é uma vontade forte, bem educada, que conseguirá regular o instinto de sobrevivência, tornando-o mais, digamos, racional. No caso, o instinto de sobrevivência que leva uma pessoa a não conseguir abrir mão de consumir a todo custo no curto prazo. É o popular “não consigo viver sem isso”.

O grande dever dos pais na educação financeira dos filhos, portanto, não tem nada a ver com finanças. Tem a ver com hábitos que fortaleçam a vontade. Vontade esta que será uma ferramenta muito útil para a vida financeira da pessoa, além de outros aspectos da vida. E o que os pais devem fazer para fortalecer a vontade de seus filhos? Vai a seguir um pequeno check-list:

– Você cede quando o seu filho faz manha, e não come o que lhe é servido?
– Você deixa o seu filho comer fora de hora?
– Você compra tudo o que o seu filho pede?
– Quando acaba a mesada do seu filho antes de acabar o mês, você abre uma “linha de crédito” especial?
– Você deixa o seu filho assistir TV quando ele quer, e por quanto tempo ele quiser? Seu filho tem uma TV no quarto só para ele?
– Você deixa o seu filho usar o computador quando ele quer, e por quanto tempo ele quiser? Seu filho tem um computador no quarto só para ele?
– Você não deixa o seu filho sofrer as consequências dos seus atos? (ex.: quando seu filho tira uma nota baixa, você tira satisfações com o seu filho ou com o professor do seu filho?)

Se você respondeu sim a algumas das perguntas acima, saiba que está potencialmente criando uma pessoa infeliz financeiramente, que não saberá controlar os seus impulsos de consumo. Sem contar outras áreas tão ou mais importantes da vida. Mas, não se desespere! Nunca é tarde para começar a cultivar hábitos saudáveis. Claro, se os hábitos ruins estão arraigados, é mais difícil arrancá-los. E mais difícil ainda se são os próprios pais que os cultivam em si próprios.

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Comentários (02)

  1. ótimo post. É o que eu digo em http://upfinancas.com.br/educacao-de-filhos/, hoje as crianças estão cada vez mais consumistas e grande maioria dos pais não conseguem combater esta vontade.
    Isso se deve também ao mundo baseado a nova sociedade que é mais baseada na aparência do que na educação o que acelera ainda mais o consumismo.

    Guilherme Fermino, em 15 de setembro de 2013. Responder
  2. Uma dica financeira que costumo dar ao meu filho: "NÃO ODEIE OS RICOS – VENDA PARA ELES".

    Roberto Pina Rizzo, em 15 de novembro de 2011. Responder

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