O que a Grécia tem a nos ensinar

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A Grécia quebrou. Como um país quebra? Como qualquer empresa ou indivíduo: gastando mais do que recebe. Enquanto existem financiadores deste déficit, a vida continua. O problema ocorre quando estes financiadores desconfiam que não terão o seu dinheiro de volta. Neste momento, ocorre uma corrida, cada um querendo levar o seu primeiro. E então, o país, a empresa ou o indivíduo quebram.

A Grécia tem muitos amigos. Na verdade, pertence a um clube bastante privilegiado: a União Européia. Nessas horas, é sempre bom poder contar com amigos, principalmente se estiverem bem de vida. Mas os amigos têm suas próprias contas para pagar. E precisam convencer suas famílias que devem emprestar dinheiro para o amigo necessitado. Se este amigo é um devedor inveterado, a coisa fica mais difícil…

Manter a união do clube é uma meta importante para países como Alemanha e França. Por isso, o esforço por manter a Grécia dentro do clube. Mas este esforço esbarra em limites: é preciso convencer os eleitores e contribuintes desses países que vale a pena manter o Euro, mesmo às custas de continuar sustentando um devedor incorrigível. Qual a solução: colocar regras draconianas para soltar o dinheiro…

O que vemos agora? Greves na Grécia. Os sindicatos exigem os direitos dos trabalhadores. “Não podemos pagar pela irresponsabilidade dos bancos!”. Não conseguem (ou não querem) enxergar que o país construiu o seu próprio destino, ao ser leniente com suas próprias contas. É a casa de palha do porquinho da estória: quando tudo está calmo, sobra tempo para brincar. Quando o lobo aparece…

Que lição podemos tirar dessa história? Simples: não dá para viver para sempre acima de suas próprias posses. Até os Estados Unidos estão preocupados com seu déficit. E olha que eles têm amigos de sobra para financiá-lo.

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Comentários (02)

  1. Os artigos são de grande importancia e esclarecedores aos leitores.

    Peço que deixe outros artigos disponiveis por e-mail.

    marcos antonio barbosa, em 24 de setembro de 2015. Responder
  2. Isto me lembra um certo país, um pouquinho melhor agora, que está inchando sua máquina estatal com base em uma ideologia que deveria ter sido enterrada junto com o muro de Berlim.

    Roberto Pina Rizzo, em 01 de março de 2010. Responder

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