Política de Investimento: avaliando sua aversão ao risco

Neste quinto post da série sobre Política de Investimento, considerando que a tolerância a risco é parte fundamental de qualquer planejamento financeiro, resolvi republicar um post publicado em junho, sobre aversão ao risco, dentro do contexto do desenvolvimento de uma Política de Investimento.

Quando se trata de escolher qual tipo de investimento é o mais adequado, uma consideração que sempre deve ser feita é a sua aversão ao risco. Isso parece óbvio. O que não é nada óbvio é como medir isso.

A aversão ao risco de qualquer investidor tem duas dimensões: a objetiva e a psicológica. À aversão objetiva de tomar risco chamamos de capacidade de tomar risco. À aversão psicológica de tomar risco chamamos de vontade de tomar risco.

Pois bem: a aversão ao risco é uma combinação dessas duas dimensões. Vamos então falar de cada uma delas.

A capacidade para tomar risco é dada por algumas características objetivas do investidor:

  • patrimônio: quanto mais rico, maior a capacidade.
  • capacidade de poupança: quanto mais o indivíduo consegue poupar, maior a capacidade.
  • reservas: quanto maiores forem as reservas para emergência, maior a capacidade.
  • estabilidade de renda: quanto maior for a estabilidade da renda, maior a capacidade. Um funcionário público tem maior capacidade para tomar risco do que um micro-empresário.
  • idade: quanto mais novo, maior a capacidade para tomar risco
  • experiência: quanto maior a experiência com investimentos, maior a capacidade.

A capacidade para tomar risco pode ser medida com um questionário simples, que procure medir as características acima descritas.

E a vontade de tomar risco? Bem, esta é um pouco mais complicada. Estamos falando de estômago, guts, sangue frio. Uma maneira de medir a vontade de tomar risco é através da aplicação de questionários específicos.  Veja o exemplo a seguir:

Você compra Siderúrgica Aços Moles, e a ação cai 20% dois dias depois. Você então:

1. Sai correndo, e promete nunca mais voltar para a bolsa.

2. Segura firme, pois tem confiança no seu taco.

3. Dobra a aposta, pois agora a ação está muito mais barata.

Se você escolheu a alternativa 1, então tem pouca vontade de tomar risco; alternativa 3, grande vontade; e alternativa 2, no meio do caminho.

O problema desse tipo de questionário é que não passa disso, um questionário. Normalmente, as pessoas são muito mais valentes quando não existe dinheiro envolvido. É como pilotar avião em um videogame. O questionário pode ser útil para dar uma noção, mas o verdadeiro teste ocorre na vida real, quando de fato você perde dinheiro.

Bem, uma vez feito o levantamento sobre a capacidade e a vontade de tomar risco, é preciso combinar as duas coisas. Vejamos os 4 perfis possíveis:

1. Perfil Silvio Santos (alta capacidade e alta vontade de tomar risco): o investidor com este perfil pode ir para o risco sem medo de ser feliz. Sua alta capacidade lhe permite perder dinheiro sem grande traumas, e sua grande vontade lhe faz ter prazer nisso (não em perder dinheiro, claro, mas em tomar risco).

2. Perfil Tio Patinhas (alta capacidade e baixa vontade de tomar risco): este perfil é caracterizado por ser muquirana. Apesar da alta capacidade, prefere manter seu dinheiro no cofrinho a alçar vôos mais altos.

3. Perfil Qualquer Um De Nós (baixa capacidade e baixa vontade de tomar risco): este é o perfil mais comum. Não tendo capacidade para tomar risco, não se importa com isso, pois também não tem vontade para isso.

4. Perfil Arrasa Quarteirão (baixa capacidade e alta vontade de tomar risco): muito cuidado com esse tipo! Normalmente é aquele parente que sempre vem com alguma idéia mirabolante de algum novo negócio, e precisa de algum financiador. No caso, você. Fuja!

A sua aversão ao risco, medida pela combinação entre a capacidade e a vontade de tomar risco, servirá de guia para avaliar os investimentos disponíveis.

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