Risco: uma questão relativa

01

O que é risco?

Definir risco formalmente pode ser difícil, mas todo mundo sabe o que ele é. Quando perdemos dinheiro em algum investimento, dizemos: “não deveria ter corrido esse risco”. Ou quando vemos que o histórico de um determinado investimento envolve muitas perdas, dizemos: “este investimento é muito arriscado”. Temos então que risco é sinônimo de perder algo. Ou melhor, a possibilidade de perder algo. No caso de investimentos, perder dinheiro. Mas há muitas formas de perder dinheiro.

– Eu que o diga, Dr. Money. Sou o maior pé frio. Quando entro na bolsa, é sinal certo de que vai começar a cair…

Não é a isso que eu me refiro. Perder dinheiro, como diria meu amigo Einstein, é sempre relativo.

– Como assim, “relativo”, Dr. Money? Perder dinheiro é perder dinheiro, ora essa…

Não, meu caro. É preciso entender o seu objetivo ao entrar em um determinado investimento. Este é o seu referencial. Não atingir o objetivo significa perder dinheiro. Assim, um mesmo investimento pode ser ganhador para um investidor e perdedor para outro, rendendo exatamente a mesma coisa para os dois. Quer um exemplo?

Digamos que o seu objetivo seja fazer uma reserva de emergência. Você deveria aplicar em um fundo DI, ou na Caderneta de Poupança. Caso você aplique na bolsa, e a bolsa cair justamente quando a emergência chegou, você perdeu dinheiro. Agora vamos considerar o caso de um sujeito que esteja fazendo uma poupança para a aposentadoria. Aplicar na caderneta de poupança é perder dinheiro na certa. Daqui a 30 anos, o nosso amigo não terá dinheiro suficiente para viver uma vida digna. Este é um baita risco. Nesse sentido, para esse objetivo, aplicar na bolsa é menos arriscado do que na Poupança. Aplicando na bolsa, você estará diminuindo o risco de não ter uma poupança previdenciária suficiente lá na frente.

Outro exemplo? Seguros. Do ponto de vista estritamente financeiro, comprar um seguro é jogar dinheiro fora, se não ocorre o sinistro. Na verdade, quando você compra um seguro, você está transferindo o risco da perda patrimonial para a seguradora. Para isso, você paga um prêmio. Se o risco não se materializa, você transferiu o risco à toa. Claro, você só sabe isso depois que aconteceu. Mas, efetivamente, teria economizado esse dinheiro se você soubesse que não haveria acidente. Portanto, a probabilidade de “perder” dinheiro nessa aposta com a seguradora é enorme. Mas sabemos que este não é o raciocínio que a maioria das pessoas sensatas faz. A maior parte das pessoas sabe que está transferindo o risco de ter uma perda ainda maior para um outro agente, em troca de um perda certa agora (o prêmio do seguro). Este é o objetivo, e esta “perda” não é, de forma alguma, considerada como tal.

Um terceiro exemplo: investimentos prefixados. Se você tem um determinado compromisso financeiro daqui a, digamos, 3 anos, e gostaria de travar o seu retorno para exatamente este período, você deveria aplicar em um título prefixado que vence neste prazo. Mas, atenção! Se outro investidor precisar do dinheiro antes, o montante que ele vai receber é uma incógnita. Isso porque o valor de um título prefixado é fixo somente no vencimento. Durante a vida do título o seu valor oscila, tanto para cima quanto para baixo. Em um próximo post, vou explicar direitinho como isso funciona, mas por ora basta saber que o valor de um título prefixado não vai só para o alto e avante. Portanto, se este outro investidor precisar do dinheiro antes do vencimento, pode perder dinheiro. Esse é o risco. Assim, um mesmo investimento pode ser arriscado para um e sem risco para outro, dependendo do seu objetivo.

Concluindo: a rigor, não existe investimento mais ou menos arriscado. O que existe é investimento mais ou menos adequado ao objetivo do investidor. Entrar em um investimento não adequado ao seu objetivo é a receita certa para perder dinheiro. Mesmo em se tratando de um investimento dito “conservador”.

Compartilhe este artigo

Artigos relacionados

Comentários (01)

  1. Muito bom este raciocínio. Esta forma de pensar tira uma carga enorme na hora da tomada de decisão.

    Gustavo, em 28 de maio de 2011. Responder

Escreva um comentário